3 REGRAS SOBRE DINHEIRO QUE TIREI DO LIVRO A PSICOLOGIA FINANCEIRA (Morgan Housel)

O chato da roda e a psicologia financeira

Muitas vezes senti que estava deslocado por parecer o cara chato da roda. No entanto, eu só não entendia a diferença entre ser chato e ter disciplina, e isso se torna mais importante se você nasceu pobre e ainda não aprendeu sobre a psicologia financeira.

O lobo mais forte é aquele que você mais alimenta e, por isso, sempre direcionei meu esforço, apesar dos desafios, para sustentar os bons hábitos porque, se você não lutar, a tendência é deixar os hábitos ruins o dominarem.

Napoleão era mediano?

Logo nas primeiras páginas do livro A Psicologia Financeira (compre aqui), encontrei uma frase que me trouxe alívio sobre a importância de saber o que fazer todos os dias. Essa frase é atribuída a um dos comandantes mais famosos da história, Napoleão:

Gênio é o homem capaz de tomar uma atitude mediana quando todos à sua volta não têm ideia do que fazer.

A partir dela, eu compreendi que, se você deseja alcançar algo na vida – como viver de renda passiva – é preciso repetição para ter sucesso e NÃO estou falando de fórmulas mirabolantes.

Refiro-me a executar todos os dias tarefas simples quando todos à sua volta estão batendo cabeça sem saber o que fazer.

Pensar assim é diferente da maneira como eu aprendi na adolescência. Por exemplo, desde a infância aprendi a estudar para passar na prova e depois não olhava mais a matéria porque já tinha atingido o objetivo.

Contudo, para ser gênio é preciso estudar, exercitar-se, dormir bem, beber água, trabalhar e investir a vida toda.

Você deve ler e utilizar o livro A Psicologia Financeira como conselheiro se o seu objetivo é ser livre financeiramente. Vamos às regras?

1 - Sorte e Risco São Irmãos

Bill Gates

Você sabia que Bill Gates estudou em uma das únicas escolas de ensino médio do mundo que tinha um computador em Lakeside?

Segundo o livro A Psicologia Financeira, havia cerca de 303 milhões de pessoas em idade escolar no mundo em 1968. Cerca de 18 milhões delas viviam nos EUA, sendo 270 mil no Estado de Washington.

Pouco mais de 100 mil delas viviam na área de Seattle e apenas cerca de trezentas frequentaram a Lakeside School.

A conta começou em 303 milhões e terminou com trezentos e Bill Gates estava entre eles, ou seja, uma chance em um milhão.

Gates já era inteligentíssimo e mesmo assim admite que “se não fosse a Lakeside School, não haveria Microsoft” que, por sinal, está avaliada em 4 trilhões de dólares.

Kent Evans, melhor amigo de Gates

Kent Evans, melhor amigo de Gates e tão inteligente quanto, não teve a mesma sorte. Ele morreu antes de terminar o ensino médio, em um acidente quando praticava montanhismo. A probabilidade de perder a vida em uma montanha durante o ensino médio é de uma em um milhão.

Bill Gates experimentou uma sorte em um milhão e Kent Evans experimentou um risco em um milhão.

Um é acaso, outro é escolha na psicologia financeira

A psicologia financeira não é o sorte

A sorte acontece por acaso, ou seja, eu não escolho quando vou encontrá-la, ela simplesmente acontece. Bill Gates era inteligente, mas não escolheu onde nascer, muito menos a escola com computador. A máquina apenas estava lá.

Já o risco você escolhe e, geralmente, quanto maior o risco, maior o resultado (lucro ou prejuízo) ou a carga de adrenalina. O amigo de Bill escolheu subir uma montanha e essa decisão envolveu correr algum risco e faz parte da vida se arriscar ou nunca vamos tentar algo, por isso:

Esteja preparado para lidar com o risco para que você não seja expulso do jogo.

Essa regra exigiu de mim muita clareza para alcançar meus objetivos. Eu não queria ficar dependente da sorte, mas se ela aparecesse (e apareceu), eu chegaria mais rápido.

Lembro-me que estabeleci uma meta de 100 mil reais, depois de 500 mil e o próximo alvo é de 1 milhão de reais.

Antes de criar as metas, eu decidi abrir uma empresa já sabendo que era um risco alto porque eu não tinha experiência como empresário.

Mesmo tendo alguns negócios que deram errado, não fui expulso do jogo que escolhi jogar porque eu havia montado uma reserva para emergências, ou seja, diminuí o risco de quebrar.

2 - Nada é de Graça na Psicologia Financeira

Vamos roubar um carro?

Você quer comprar um carro que custa 150 mil reais e tem três opções:

  1. Pagar os 150 mil;
  2. Comprar um usado mais barato; ou
  3. Roubar um.

No geral, a maioria das pessoas descarta a terceira opção sem pensar porque as consequências ruins de roubar um carro superam as vantagens. Essa percepção de risco desaparece quando se trata de investimentos.

As pessoas querem investir em algo com retornos excelentes, mas não querem pagar o preço do risco, ou seja, evitar a dor das quedas que o “Senhor Mercado” gera na boa parte do tempo que você está investindo. Duvida?

A Netflix valorizou nada mais do que 35.000% de 2002 a 2018.

Se eu tivesse investido mil dólares e esquecido durante esses 16 anos, em 2018 eu teria 351 mil dólares. Contudo, o problema é esquecer.

As ações da Netflix foram negociadas abaixo da máxima anterior em 94% dos dias e ter a sensação de estar perdendo dinheiro todos os dias é um preço que poucos estão dispostos a pagar. Você pagaria esse preço psicológico?

Punição ou Passaporte para a psicologia financeira de sucesso?

A psicologia financeira correta gera liberdade

É curioso que muitos estejam dispostos a pagar o preço de carros, de casas, de comidas, mas fogem de pagar o preço de bons investimentos. Eu concordo que o preço dessas mercadorias estão visíveis na etiqueta e a recompensa é imediata. No entanto, o preço de um bom investimento não é imediatamente óbvio.

O ideal seria olhar para os investimentos como uma taxa que você paga para obter algo que você deseja.

Por exemplo, quando você compra a camisa da sua marca favorita, o preço pago por ela é uma punição ou uma sensação de prazer por ter trocado o seu dinheiro por algo que valeu a pena?

Se nada é de graça e, como diz o ditado, “é justo que muito custe o que muito vale”, a melhor maneira de investir é pensar que estamos apenas pagando uma taxa e não recebendo uma punição por ver a volatilidade bagunçar a nossa carteira de ativos.

3 - Cuidado com as minhas dicas

Você e Eu

Até a leitura da Psicologia Financeira, eu nunca havia parado para pensar sobre quem eu tenho como referência seja na vida real ou, principalmente, nas redes sociais. Essas referências nos influenciam na hora de tomar decisões.

Não há problema nenhum se inspirar no bom exemplo de casos de sucesso, mas se você não tiver o cuidado de adaptar os conselhos delas para a sua realidade, o resultado poderá ser de pura frustração.

Eu sou um investidor e admirador do Bitcoin, sigo investidores que ficaram milionários quando o BTC ainda valia menos de R$ 1.000,00. O conselho de alguns influenciadores é “venda tudo e compre Bitcoin” ou “Bitcoin não se vende, só se compra”.

Será que eu deveria trocar toda a minha carteira de investimentos para fazer exatamente o que essas pessoas (que eu admiro) estão recomendando?

Será que só porque eu tenho uma boa parte da minha carteira em Bitcoin, você também deveria fazer igual? A resposta está no discernimento.

Se a sua personalidade e realidade forem parecidas com a minha, pode ser que seja positivo copiar minha estratégia, mas se você for inseguro e não gosta de correr riscos e mesmo assim seguir o conselho da pessoa que você admira, certamente irá se dar muito mal.

O dinheiro é seu, a psicologia financeira também

Decida qual o caminho que seu dinheiro irá percorrer. Você é day trader? Então, seu objetivo é ganhar dinheiro entre agora e a hora do almoço.

Você é um investidor de longo prazo? Então, a hora do almoço é só hora de matar a forme porque seu objetivo está traçado para daqui a alguns bons anos.

O que ficou claro para mim e espero que tenha ficado para você é que poucas coisas realmente importam sobre dinheiro do que entender claramente o que você quer fazer com ele e, com isso, não se deixar influenciar pelas orientações e comportamentos de pessoas que jogam um jogo diferente do seu (seja seu vizinho, amigo, mentor ou ídolo).

A psicologia financeira saudável

A diferença entre o que eu eu sugiro que você faça e o que eu faço para mim mesmo nem sempre é ruim. Há um ditado que diz “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Essa frase é uma maneira de expor alguém que não pratica o próprio conselho que está dando, mas também pode ser interpretada como uma orientação personalizada para a sua realidade.

Contudo, Morgan Housel deixou claro para mim que não existe uma verdade absoluta no mundo dos investimentos. Existem alguns princípios e o que funciona para você e sua família e é assim que eu encerro esse artigo, desejando que suas decisões financeiras tragam o melhor que o dinheiro pode oferecer para você e as pessoas que realmente importam na sua vida.