Frugal ou Muquirana?
Comecemos com uma palavra estranha, mas com significado simples: FRUGALIDADE. Para entender o que os ricos não compram, você precisa saber que essa qualidade pertence a poucos, já que o hábito de viver com simplicidade e moderação é algo cada vez mais raro de se ver.
A pessoa frugal é capaz de pensar de forma inteligente como vai gastar recursos valiosos como dinheiro, tempo e energia. No entanto, não confunda com avareza (o famoso muquirana). Este evita gastar a qualquer custo, mesmo que seja algo necessário para melhorar a qualidade de vida, ou seja, tem apego excessivo ao dinheiro e aos bens materiais.
Infelizmente, eu não sabia a diferença entre essas duas palavras. Na verdade, nem conhecia a primeira e, por isso, exagerei na ideia de economizar para investir e acabei deixando de viver boas experiências.
Felizmente, também desenvolvi a habilidade de mudar de opinião e quando conheci a ideia de ser uma pessoa frugal, rapidamente fiz ajustes para melhorar a minha vida.
O medo ajuda (acredite!)
A história e o cemitério estão recheados de investidores que ficaram milionários e algum tempo depois perderam tudo. Empresários, ganhadores da loteria, investidores profissionais, entre outros.
Além da sorte, eles também precisaram se arriscar para ganhar enormes quantias de dinheiro. O problema é que ganhar dinheiro é uma coisa e mantê-lo com você é outra.
No livro “A Psicologia Financeira” (aqui), li sobre Jesse Livermore que em um único dia ganhou mais de 3 bilhões de dólares. Ele tomou o gosto pelo risco, esqueceu de ter medo e acabou se afundando em dívidas. No final, tirou a própria vida. Algumas pessoas são excelentes em ficar ricas, mas péssimas em continuar ricas.
Pode parecer um pouco paranoico, mas é importante ter medo de conhecer a ruína depois que você conquista algum patrimônio.
O problema que os ricos não compram
E você me pergunta: “Dimitry, por que está falando comigo sobre isso se ainda não tenho dinheiro investido?”. É verdade. Você está aqui para saber o que os ricos NÃO compram, mas os pobres continuam gastando.
A questão toda é que quem está na fase de ganhar dinheiro para ficar rico costuma arriscar muito alto, mas acaba se esquecendo de ter medo de perder tudo que lutou para conquistar. A partir daí começam os problemas que muitos “ricos” ignoram:
- Se atolar em dívidas;
- Entrar em pânico;
- Sujar o nome;
- Ficar preso a uma única estratégia passageira;
- Depender de dinheiro de terceiros;
- Ficar cansado e desistir; e
- Viver para o imediatismo.
A vida é questão de sobrevivência, mesmo que você esteja rico deveria continuar desenvolvendo a capacidade de permanecer ativo porque nem todos irão experimentar o extraordinário, mas com certeza todos nós passaremos por imprevistos.
A Realidade
Eu cresci, como a maioria das crianças, com alguns colegas de escola com fama de rico. Eles não andavam de ônibus, tinham dinheiro para o almoço e o lanche. Quando o pai ia buscar, o carro era de deixar a turma de queixo caído. E a casa com piscina? Era a alegria da turma quando a gente era convidado para um banho.
Mas essa não era a realidade, era a minha perspectiva sobre como eu acreditava que a vida do outro era perfeita. Logo, eu dizia para mim mesmo, vou ter tudo isso e mais um pouco quando crescer, mas era exatamente isso que os ricos não compram na primeira oportunidade.
Eu cresci e o primeiro salário de carteira assinada, em dezembro de 2008, foi de R$ 580,00. O primeiro impacto brutal que eu senti ao ver a cor do dinheiro foi de que era impossível comprar uma casa com piscina, um carro e comer nos restaurantes com essa renda. A realidade não era tão abastada como eu pensei que seria.
O Desejo Escravizando Minha Vida
Por causa dessa memória da infância e da falta de educação financeira que, na minha opinião, faz parte da mentalidade da maioria das pessoas, eu queria pular a parte difícil e ir direto para a parte divertida.
Assim, comecei a gastar com coisas que os ricos não compram antes de ter patrimônio que proteja a sua liberdade da escravização do sistema financeiro.
Nesse sentido, foi assim que eu percebi que as pessoas sem instrução financeira priorizavam pensamentos e coisas que ricos não dão atenção de imediato. O pior, se eu não mudasse minhas atitudes em relação a isso, iria virar escravo do dinheiro, do emprego, das dívidas, das pessoas.
O que é ser Rico e o que é ser Pobre?
O significado de rico e pobre tem várias interpretações e eu vou abrir mão de regras técnicas para focar apenas na minha definição que criei ao longo dos anos. A riqueza financeira está ligada ao patrimônio líquido e ao fluxo de caixa.
O patrimônio líquido representa quanto de dinheiro você tem disponível para pagar todas as suas dívidas hoje. O fluxo de caixa revela o quanto você consegue poupar após pagar todas as despesas do mês.
Na prática, se você pode zerar todas as suas dívidas agora com folga financeira e tem renda que não dependa do seu tempo para manter seu fluxo de caixa positivo, você é rico.
No entanto, se você não pode pagar todas as suas dívidas e sua renda depende exclusivamente do seu tempo, ou seja, se não trabalhar não tem dinheiro, você é pobre ou escravo do dinheiro.
Afinal, o que os ricos não compram?
A lista das 7 coisas que vou apresentar a seguir não é em si de rico ou de pobre, mas dependendo do momento que você as adquire, elas poderão transformá-lo em alguém pobre, especialmente se ainda não tiver nenhum patrimônio investido (Renda Fixa, Ações, FIIs, aplicações no exterior, Bitcoin).
1 - Falsos Investimentos
Qualquer coisa que você compra e vai gerar imposto, despesa ou manutenção sem que, em contrapartida, gere alguma renda é um falso investimento. Pense nas compras que você fez recentemente, olhe o extrato do seu cartão de crédito e liste apenas aquelas que geraram algum benefício financeiro na sua vida.
Quando faço esse exercício com meus clientes, a maioria deles fica assustada ao perceber que quase 100% dos seus gastos são dedicados a coisas que não irão gerar nenhuma renda futura, apenas ostentação e, posteriormente, dor de cabeça.
2 - Ricos Não Compram Casa Própria
Apesar do tema ser polêmico, ele não pode deixar de ser colocado em pauta. Para uma pessoa que está começando a vida, considerar que seu maior sonho é ter uma casa própria é falta de educação financeira.
Geralmente, a casa só será efetivamente quitada daqui a 30 anos. Ainda assim, quando a quitação vem antes, houve necessidade de amortizar as parcelas utilizando renda extra. Muito tempo dedicado a quitar um bem com pouquíssima liquidez.
Se você pudesse ganhar uma casa agora ou receber 500 mil reais na sua conta livre de impostos, qual seria a sua escolha? Muitos escolheriam o dinheiro, por ser algo extremamente difícil de juntar. A casa poderia ser comprada depois, com uma pequena entrada e 30 anos de parcelas para pagar.
Esse tipo de pensamento indica falta de sabedoria financeira. O ideal seria pegar o dinheiro e investi-lo para que, em alguns anos, você não precisasse nem mesmo se preocupar se iria viver de aluguel ou comprar uma casa.
3 - Luxos no Cartão de Crédito
Pessoas pobres ficam preocupadas com o que vestem, o celular que usam, o restaurante que frequentam, o relógio que está na moda. Como não é possível comprar tudo isso à vista, o cartão de crédito facilita a criação de dívidas infinitas.
Pessoas ricas compram essas coisas quando elas não são mais caras, ou seja, não fazem a menor diferença no orçamento. Por outro lado, pessoas que ainda pensam sem ter educação financeira, priorizam os luxos que não podem ter e ficam escravas das dívidas.
4 - Carro Novo Financiado
O carro novo já é caro no Brasil e a conta fica muito, mas muito cara se a gente incluir todas as despesas desde a compra financiada até a perda de valor no tempo. Um financiamento, nas taxas atuais (05/2026), faz com que você pague por 2 veículos: o seu e o do banco que te cobrou em juros.
Se colocar na ponta do lápis a depreciação, o seguro, o IPVA, as manutenções programadas e o combustível, o carro se transforma em uma máquina de torrar seu dinheiro. Pessoas ricas investem o dinheiro que pagariam na parcela de um carro para receber juros e não pagar.
5 - Os ricos não compram Shein e Shopee
Quartos e armários lotados de “bagulhos” que, em algum momento, pareciam indispensáveis para a sobrevivência humana.
As compras por impulso explodiram depois do e-commerce e ficaram ainda mais frequentes depois que plataformas passaram a vender supérfluos por um custo muito baixo com entrega rápida à distância de apenas um toque na tela do smartphone.
Em geral, os ricos não compram essas bugigangas, mas os pobres e a classe média são campeões em gastar com os “recebidos pagos” para criar a sensação de gratificação instantânea ou dopamina barata.
6 - Ingresso para a corrida dos ratos
Empréstimos pessoais, cheque especial, parcelamento da fatura do cartão de crédito, entre outras formas de adquirir o ingresso para a famosa corrida dos ratos. Inspirada em ratos de laboratório que passam a vida presos dentro de gaiolas. Geralmente, sendo utilizados como cobaias para experiências, correndo em círculos dentro de uma roda para passar o tempo.
Para as pessoas pobres, essa corrida é composta por 4 voltas que se repetem a vida inteira: Trabalhar, pagar contas, ficar sem grana e trabalhar mais.
7 - Os ricos não compram bilhetes de Loteria
Por fim, a famosa “fezinha” que as pessoas fazem acreditando que ficarão ricas apostando em jogos de azar com destaque especial para as bets, além dos esquemas de pirâmides financeiras.
Pessoas pobres compram a ideia de que a sorte ou entidades como o governo, por exemplo, são responsáveis por melhorar as suas vidas. Gastam tempo e dinheiro com promessas falsas, enquanto pessoas ricas preferem pagar por educação, aprender sobre investimento e empreendedorismo.
Exige muito, mas vale
Tenho muitos fatores que justificariam que eu continuasse sendo uma pessoa pobre.
O Governo que governa apenas para políticos e magnatas, tributa com uma das maiores cargas tributárias do mundo sem nenhuma contrapartida e, por fim, cria a inflação fazendo com que eu fique cada vez mais pobre.
A cultura da ostentação e do imediatismo em que as pessoas confundem status (luxo) com riqueza (liberdade de escolha) e, por não entenderem a diferença, acabam se tornando péssimas influências.
Sinceramente? Eu nem precisaria mencionar os fatores acima porque a própria procrastinação que habita em mim já seria suficiente para me manter pobre até o fim da minha vida.
Talvez as pessoas não percebam o quanto foi desafiador escrever mais um artigo para este blog, mas eu posso afirmar que foram horas de luta contra a vontade de não fazer nada.
Não tenha a menor dúvida que a sua luta para deixar de ser pobre será árdua e, talvez, uma das mais difíceis de conquistar, mas valerá a pena se você souber o que quer e mantiver a constância de fazer um pouco todos os dias, começando por entender de vez o que os ricos não compram e parar de gastar com coisas que não te levarão a lugar algum.
Bons investimentos e até a próxima.